Doce delírio - parte 6
.. até que a Eliana pegou na minha mão e disse - Vamos conversar! - Nossa, vamos conversar? Eu fui.
- Olhe bem Duda,você não está bem mesmo não é? Veja Julia como ela tá, pálida e sem cor!
- É.. eu não tô bem.
- Me conte o que ta acontecendo querida, onde estão suas amigas agora?
- Sei lá.. lá fora, por ai, quem sabe..
- Isso não são amigas de verdade! Olhe Duda, tome isso aqui, vai te fazer bem.
A Eliana me deu um troço que mais parecia água e não tinha gosto de nada. Apaguei! Quando eu acordei, estava na casa da Gabi e com muita, mais muita gente a minha volta. Abri os olhos e todo mundo ficou surpreso, não entendia ainda porque. A Daiana, irmã da Gabi começou a me explicar o que tinha acontecido na Mestiça Cabana depois da minha ida ao banheiro.
- Olhe só Duda, você entrou no banheiro porque estava se sentindo mal, disse que não queria que ninguém fosse com você, mas parece que as duas idiotas e sem cérebro - Julia e Eliana - estavam lá dentro e resolveram te ajudar, da forma delas. Te deram o famoso ''boa noite, cinderela'' e deixaram você caída lá dentro. Depois de um tempinho sentimos sua falta e você estava desmaiada, acordou agora e pensávamos que ela poderia ter colocado algo a mais na água, mais é bom saber que você está bem.
Fiquei um pouco assustada, mais a atitude da Eliana de me colocar pra dormir, não tinha sido uma das melhores. Vendo ali todo mundo preocupado comigo, me deu vontade de chorar, mas eu não chorei. Agradeci a todo mundo pela preocupação e fui pra casa. Quer dizer.. estava indo. No caminho liguei pro Kadu, pedi pra ele me encontrar na praia em frente a calçada em que nos encontramos e ele disse que iria. Não demorou muito e ele estava lá, com um sorriso tão grande, que eu não queria estragar por nada nesse mundo. Olhei pra ele, com cara de esperança e ele me devolveu com um olhar doce e que dizia mais do que qualquer coisa, ou pelo menos foi isso que eu entendia no momento. Ficamos um tempo sem falar nada, só nos abraçamos e deixamos que o silêncio falasse por nós dois. Ele não sabia, mas a presença dele me fazia tão bem, que nem eu mesmo sabia que reencontrar ele iria causar tanto efeito assim, dentro de mim.
- Dudinha.. você quer conversar? Percebo desde sua voz no telefone que você não está nada bem. Eu te conheço menina, me diga o que foi.
- Nada demais Kadu.. só é que minha vida tá mesmo despedaçando! Tudo, o mundo inteiro, todas as pessoas, exatamente todas.. tá tudo caindo em cima da minha cabeça. Mais não quero te aborrecer com nada disso, são problemas meus, não seus!
- Não, seus problemas agora são meus!
E de tanto o Carlos Eduardo insistir, eu contei tudo o que estava me aborrecendo. Os olhos dele se encheram de água não sei nem porque, mais eu sei que aquelas lágrimas eram verdadeiras. Ele simplesmente me abraçou e disse - Conte comigo pra o que você precisar! - como se eu não fosse contar. Ficou abraçado comigo por horas só tentando me acalmar e me dizendo coisas lindas, pra que eu me controlasse e não pensasse em nenhuma besteira. Mas, olhei pro relógio e vi que já estava tarde, queria ir embora pra não deixar minha mãe sozinha em casa, mas ao mesmo tempo não queria deixar o Kadu. Ele teve uma ideia repentina e maluca.
- Me dê dois segundos que eu trago uma barraca e nós montamos e dormimos aqui mesmo, que tal?
- É.. não sei não Kadu. Será que isso dá certo?
- Confia em mim? E eu balancei a cabeça dizendo que sim.
Confiar, confiava sim.Mas em quem eu não tinha nenhuma confiança era em mim mesma..
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